Frases de Camilo Castelo Branco

Foto: Autor não identificado · Public domain, via Wikimedia Commons

Camilo Castelo Branco

16 de março de 1825 – 1 de junho de 1890 · 159 frases

Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na Maçonaria do Norte, o que é muito estranho ou algo contraditório, pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas como "ajudante às ordens do general escocês Reinaldo MacDonell", que criaram a Ordem de São Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria.

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Do mesmo modo, muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são contrários.

Entretanto, teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.

Dentro da sua vasta obra, também se encontra colaboração da sua autoria em diversas publicações periódicas como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, A illustração luso-brasileira (1856-1859), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Archivo pittoresco (1857-1868), A Esperança (1865-1866), Gazeta Literária do Porto (1868) (também chamada de Gazeta de Camilo Castelo Branco devido à sua extensa colaboração como redator), a revista literária República das Letras (1875), Ribaltas e Gambiarras (1881), A illustração portugueza (1884-1890), e a título póstumo nas publicações periódicas A semana de Lisboa (1893-1895), Serões[(1901-1911), Azulejos (1907-1909) e Feira da Ladra (1929-1943).

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Já vês que o casamento é um contrato político, civil, económico, e higiénico até certo ponto. Enquanto gostei da minha mulher, gostei; depois que a vi muitas vezes sempre com a mesma cara, com a mesma cintura, e com a mesma mão e pé, que me fizeram endoidecer de entusiasmo, desejei que ela tivesse uma grande mão, um pé inglês, uma cara saloia, e uma cintura mais larga que as espáduas. Como a estátua não se transfigurava, detestei-a... não digo bem... não a detestei como um belo traste dos meus aposentos, mas sim como excrescência matrimonial à minha vida. (...) A mulher com quem se casa é de todas as mulheres aquela com quem menos se casa.

Camilo Castelo Branco

Um verdadeiro amigo não é o hóspede que recebemos em nossa casa, que nos sentamos à nossa mesa, e agasalhamos nos nossos lençois. O verdadeiro amigo é o confidente que recebemos no coração. Estes são muito raros. Ao acaso podemos deparar-nos com um: ao passo que nos esforçamos inutilmente se o procuramos. Um tal amigo, ao menos para mim, há-de ter sofrido muito, há-de ter perdoado todas as afrontas, há-de ter bebido um cálice de fel, sem gemer uma queixa.

Camilo Castelo Branco

Tenho sido muito curioso em reparar na maneira como se vestem alguns homens, que pretendem distinguir-se na sociedade, seja pelo que for. Tive sempre para mim que a primeira condição de um homem banal, e sinceramente tolo, é o cuidado com que ele compõe a gola do seu casaco, de modo que não discrepe uma linha do talhe que o alfaiate lhe deu. Ha aí muita frivolidade nesse espírito, que se considera tanto mais sublime, quanto pode manter-se direito entre os colarinhos da camisa, e verticalmente equilibrado entre as duas asas do laço da sua gravata.

Camilo Castelo Branco

No coração de uma linda mulher, quem ousa limitar ambições? Não é certo que os maus pensamentos, ao transluzirem nos olhos imperiosos dela, depuram-se ali da sua maldade, para despertarem grandes virtudes no coração do homem? Que é a mulher neste mundo, senão um ente privilegiado, para quem as leis repressivas são uma injúria? Como é que o homem, com a frágil feitura do seu código de leis, ousa intimidar, punir, julgar e condenar uma aspiração sempre grandiosa, como são todas as aspirações desferidas na harpa intima do coração da mulher-anjo?

Camilo Castelo Branco

Assim começam todos os amores: assim vai até ao altar a menina que se casa; acompanham-na até lá quiméricas legiões de espíritos lúcidos, cujas asas se enlaçam, para a embalarem num coxim ideal de aspirações e santos desejos. E, depois, é muito triste vê-la, passados dois meses, a fazer um rol de roupa suja, a acertar a gravata do marido, que vai ver o cambio, ou, oh essência do materialismo! a pregar um botão nas calças conjugais! Esta é a ordem do mundo, leitores! Cinjamos os rins de silício, cubramo-nos de saco, e baixemos a cabeça ao mundo conveniente, qual ele é, porque o método é uma necessidade prima, até no romance.

Camilo Castelo Branco