Frases de Joel Neto

Foto: Joelneto · CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Joel Neto

3 de março de 1974 · 96 frases

Nasceu na Ilha Terceira, arquipélago dos Açores. Começou a escrever para a imprensa, ainda como amador, aos 15 anos, no jornal Diário Insular.

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Mudou-se para Lisboa aos 18 anos, para estudar Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mas o jornalismo manteve-se a sua principal actividade.

Durante década e meia, trabalhou em jornais e revistas, na televisão e na rádio, nas qualidades de repórter, editor, chefe de redacção, autor de conteúdos e apresentador. Diário de Notícias, Grande Reportagem, Volta ao Mundo, NS', Focus, Jornal de Notícias e O Jogo são apenas algumas das publicações a que ligou o seu nome. Na estação pública açoriana de televisão, RTP/Açores. Além disso, Os seus programas Choque de Gerações (2004-2005) e História da Minha Vida (2005-2007) atingiram alguma notoriedade. Foi colaborador da TSF-Rádio Jornal, integrou o painel de comentadores de golfe da estação SportTV e ganhou os prémios José Roquette, Gazeta de Reportagem e Jornal da Praia.

Casou-se duas vezes e voltou à Ilha Terceira em 2012, determinado a dedicar-se inteiramente à literatura. Vive desde então no lugar dos Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã. Na companhia da actual mulher, a tradutora Catarina Ferreira de Almeida, e dos dois cães. Aí, tem um pomar, uma horta, um jardim de azáleas e toda uma panóplia de vizinhos de modos simples e vocação filosófica.

Entretanto, é um dos protagonistas do agregador "Notáveis dos Açores" e membro do Conselho Regional de Cultura da Região Autónoma açoriana.

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A vida já é um buraco de agulha tão estreitinho, e as suas obrigações, camelos tão gordos e abastecidos, que passar três quartos do ano a magicar numa distinção maniqueísta entre mulheres decentes e galderias perniciosas, entre cãezinhos de rua e príncipes encantados, é matemática tão intricada como a dos fanatismos religiosos, políticos ou mesmo lobísticos: passamos uma vida inteira a identificar bons e maus – e, quando finalmente percebemos a soma zero do problema, já estamos com a pele encarquilhada e a tomar comprimidos para a tensão arterial.

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Há muito tempo que vinha tomando atenção a conversas daquela natureza: entre operários ao almoço, entre uma esteticista e uma cliente, entre dois gravatas que se cruzavam no quiosque, entre miúdas bebendo copos na rua. Ninguém se ouvia. E talvez a explicação até estivesse na escola, que ensinara a participação, mesmo a alarve, quando a inteligência, muito provavelmente, se encontrava no silêncio. Em todo o caso, não se podia entender este mundo sem considerar a solidão - e essa é que era a tragédia.

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