Saudade! Amor de minha terra… O rio cantigas de águas claras soluçando.
Frases de Costa e Silva
Nessa teia de luz um mistério se encerra: Sabe-o a Aranha, cravando o enorme olhar que infunde a energia vital que há no ventre da terra.
Na remansosa paz da rústica fazenda, à luz quente do sol e à fria luz do luar, vive, como a expiar uma culpa tremenda, o engenho de madeira a gemer e a chorar.
Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda; E ringindo e rangendo, a cana a triturar parece que tem alma, adivinha e desvenda a ruina, a dor, o mal que vai, talvez, causar…
Movida pelos bois tardos e sonolentos geme, como a exprimir, em doridos lamentos, que as desgraças por vir, sabe-as todas de cor.
Ai! Dos teus tristes ais! Ai! Moenda arrependida! — Álcool! para esquecer os tormentos da vida e cavar, sabe Deus, um tormento maior!
Passou de leve a Esperança pelo meu coração… Encantou-me no azul do meu sonho de criança: Ardeu como uma estrela… E era um pobre balão!
Aracnídeo exemplo, almo e augusto, desvendo no Sol, como a ensinar que tudo se fecunde sempre, Aranha do Azul, véus de noiva tecendo…
Doudo, sonho que o Sol é a maior das aranhas, –Tarântula do Azul – a ígnea teia da Vida
Tecendo caprichosa, a arrancar das entranhas rubros fios de sangue e de luz difundida.
Urde os fios e os prende, elo por elo, à urdida rede transluminosa, a alongar as estranhas antenas de ouro de fogo, e com a trama tecida estende véus iriais para além das montanhas…
Passou de leve a Alegria pelo meu coração… O Amor, dentro em meu ser, como um jardim, floria… Como é triste, meu Deus, esta recordação!
Passou de leve a Ventura pelo meu coração…
Como foi que passou, se a busco com loucura, sentindo-me infeliz por deseja-la em vão?
Noites de junho… O caboré com frio, ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E, ao o vento, as folhas lívidas cantando a saudade imortal de um sol de estio.
Saudade! Asa de dor do pensamento! Gemidos vãos de canaviais ao vento…
As mortalhas de névoa sobre a serra…
Saudade! O Parnaíba – velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe, o mugido dos bois da minha terra…